A exposição coletiva Camouflage explora dinâmicas de perceção visual no campo da arte contemporânea através de uma seleção de autores que expressam aspetos e estratégias de camuflagem no seu trabalho.

Embora centrada em artistas a trabalhar atualmente em Portugal, a exposição integra também criadores provenientes da Alemanha, Angola, Espanha, EUA, França e Grã-Bretanha. Esta seleção reúne um conjunto diverso de artistas contemporâneos em atividade, aos quais se somam figuras históricas que exploraram a camuflagem no início do século XX, como Abbott Thayer e Roland Penrose, bem como nomes incontornáveis do panorama artístico internacional, como Andy Warhol e Christo.

Profundamente enraizada no reino animal, a camuflagem é uma estratégia de sobrevivência que se manifesta numa ampla variedade de padrões, esquemas e fenómenos óticos. Através da diversidade de desenhos e técnicas apresentadas, Camouflage evidencia as interconexões e transferências entre as ciências naturais, a história militar, a moda e as artes visuais, convidando os visitantes a refletir sobre o espaço intersticial entre o visível e o invisível.

Programação paralela

29 de maio, 16:00
Conferência “A Experiência dos Artistas de Camuflagem Durante a Primeira Guerra Mundial” por Patrice Alexandre, no Grande Auditório da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Entrada livre

31 de maio, 14:30-16:30 e 14 de junho, 14:30-18:30
Workshop de serigrafia  “Fazer um livro em conjunto” por Lucas Almeida
Ateliê da P28 – Pavilhão 31 do Hospital Júlio de Matos, Lisboa

5 de julho, 18h-21h
Finissage: Encerramento da exposição com beberete 
Entrada livre mediante inscrição (vagas limitadas): info@p28.pt
Performance: Galeria Ana Lama (curadoria)
Pavilhão 31 do Hospital Júlio de Matos, Lisboa

15 de novembro de 2025 a janeiro de 2026
Exposição “Camouflage” (2.º momento), Casa D’Avenida, Setúbal

A P28 é uma estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura/ Direção-Geral das Artes, no âmbito do Programa de Apoio Sustentado às Artes.

A exposição “Resgate”, com curadoria de Luís Alegre, consiste num exercício dialético entre os escultores Anabela Soares, artista residente do ateliê da P28 desde 2013 e membro do coletivo Manicómio, e José Maria Rodrigues (1906-1999), mestre do barro preto, cujas expressões artísticas resistem à elitização e comercialização excessiva da arte. Trata-se uma oportunidade única para apreciar um inestimável acervo de arte popular, cruzando realidades distintas de um mesmo universo.

Anabela Soares utiliza a arte como meio para exorcizar medos e ansiedades, criando em barro peças figurativas às quais carinhosamente chama os “seus monstros”. Estes nascem de uma operação de resgate aos confins das suas inquietações. Desde 2015 que a sua obra integra regularmente exposições coletivas (P28, Espaço Fidelidade Chiado 8 Arte Contemporânea, MAAT, entre outras), e individuais (Casa Bordalo Pinheiro, 2020).

José Maria Rodrigues nasceu em Ribolhos, Castro Daire, em 1906. Aprendeu a arte de moldar o barro e tornou-se num dos mais reputados oleiros de Portugal. Começou por produzir objetos domésticos utilitários, mas a mudança nos hábitos de consumo e a introdução de novos materiais forçaram-no a abandonar a roda de oleiro, passando a dedicar-se à construção de figuras inspiradas na vida rural e no quotidiano da Serra de Montemuro. Mestre Zé Maria afirmava resgatar as suas peças do chão, onde as cozia num buraco, de acordo com a técnica tradicional que utilizava.

“Resgate” pensa a arte como ferramenta de empoderamento e agente de mudança, convocando a capacidade das expressões populares de promoverem o valor intrínseco da arte como expressão cultural e pessoal, em vez de meros objetos de valor comercial ou estatuto social. A cultura popular revela-se acessível a um público mais amplo, oferecendo uma miríade de alternativas às tendências dominantes no circuito artístico, envolvendo ativamente comunidades locais e permitindo que pessoas de todas as idades e origens participem quer na criação, quer na sua fruição estética.

David Graeber entendeu a história humana como um processo não linear, marcado por desvios e resistências. A exposição Resgate reflete essa ideia, reunindo obras de Mestre Zé Maria de Ribolhos e Anabela Soares, unidos pelo uso do barro como meio de expressão e resistência contra o esquecimento imposto pela modernidade.

O “resgate” presente nas suas obras atua em vários níveis: é a recuperação de uma matéria bruta, a preservação de tempos ameaçados e a afirmação de subjetividades marginalizadas. Zé Maria, diante do declínio da olaria tradicional, reinventou sua prática, transformando-a em arte com força expressiva e resistência cultural. Anabela utiliza a cerâmica como forma de reconstrução pessoal e afirmação identitária, criando peças que evocam rituais e forças invisíveis.

Ambos os artistas recusam categorias convencionais. O resgate que operam não é nostálgico, mas insurgente — uma transformação que afirma a arte como gesto vital de sobrevivência e libertação. E, de igual modo, ambos recusam os limites que lhes foram impostos: Zé Maria não se reduz a um oleiro tradicional, nem Anabela a uma artista outsider. Navegam num espaço intermédio, onde a arte resiste à institucionalização e se apresenta como forma de liberdade. Resgate, assim, não é apenas uma exposição, mas um manifesto sobre a força da arte que sobrevive — não pela inovação, mas pela sua capacidade de reaparecer, transformar e libertar.

𝘈 𝘗𝟤𝟪 𝘦́ 𝘶𝘮𝘢 𝘦𝘴𝘵𝘳𝘶𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘧𝘪𝘯𝘢𝘯𝘤𝘪𝘢𝘥𝘢 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘙𝘦𝘱𝘶́𝘣𝘭𝘪𝘤𝘢 𝘗𝘰𝘳𝘵𝘶𝘨𝘶𝘦𝘴𝘢 – 𝘊𝘶𝘭𝘵𝘶𝘳𝘢, 𝘑𝘶𝘷𝘦𝘯𝘵𝘶𝘥𝘦 𝘦 𝘋𝘦𝘴𝘱𝘰𝘳𝘵𝘰 / 𝘋𝘪𝘳𝘦𝘤̧𝘢̃𝘰-𝘎𝘦𝘳𝘢𝘭 𝘥𝘢𝘴 𝘈𝘳𝘵𝘦𝘴, 𝘯𝘰 𝘢̂𝘮𝘣𝘪𝘵𝘰 𝘥𝘰 𝘗𝘳𝘰𝘨𝘳𝘢𝘮𝘢 𝘥𝘦 𝘈𝘱𝘰𝘪𝘰 𝘚𝘶𝘴𝘵𝘦𝘯𝘵𝘢𝘥𝘰 𝘢̀𝘴 𝘈𝘳𝘵𝘦𝘴.

Outdoor é um projeto de arte pública contemporânea, criado e desenvolvido pela P28 em 2012, que consiste na apropriação de painéis publicitários de grande formato (8x3m) para suporte de obras de arte.

Na edição deste ano, a P28 tornou a aumentar a sua rede de painéis publicitários (de cinco para sete) incluindo agora capitais de distrito do interior na sua rede de itinerância. Assim, em abril, Outdoor ‘25 inaugura em sete cidades, circulando os trabalhos de sete artistas por cada uma delas ao longo de sete meses, no que resulta numa programação contínua, de caráter rotativo, em cada localidade.

Iniciado em Lisboa e progressivamente alargado a todo o país, Outdoor surge da necessidade de reabilitar e reavivar suportes que, na sua génese, foram concebidos para outros propósitos, aproveitando as suas enormes potencialidades enquanto meios de comunicação de massas caraterizados pela sua reprodutibilidade e ubiquidade.

Localização dos painéis* e respetiva programação, em setembro:

Avenida da Guarda Inglesa (Convento São Francisco), Coimbra
S/ título, Cláudia R. Sampaio
Cláudia R. Sampaio nasceu em 1981, em Lisboa. Estudou teatro e cinema e foi, inclusive, guionista em cinema e televisão – mas neste momento dedica-se à escrita literária e à pintura e escultura em cerâmica. Tem sete livros de poesia publicados.

Entrada de Évora pela En 18 (junto ao Intermarché) Évora
S/ título, Pedro Valdez Cardoso
Pedro Valdez Cardoso, escultor e artista plástico, nasceu em Lisboa, em 1974, cidade onde vive e trabalha. Formado em Realização Plástica do Espetáculo, expõe desde 2001 em exposições individuais e coletivas.

Avenida Calouste Gulbenkian, Faro
S/ título, Isabel Baraona
Nascida em Cascais em 1974, Isabel Baraona é professora e investigadora no âmbito do design e artes. Artista plástica, utiliza o desenho, o texto e a pintura como ferramentas na produção de obras.

Largo Marquês de Angeja, Belém, Lisboa
S/ título, José Maçãs de Carvalho
José Maçãs de Carvalho nasceu em Anadia em 1960 e é licenciado em Línguas e Literaturas Modernas. Trabalha e expõe fotografia desde a década de 1990 e vídeo desde 2000. O seu trabalho está presente em diversas coleções de arte privadas e públicas.

Rua da Cevedeira com a Avenida da Bela Vista, Setúbal
Bambu, Luísa Cunha
Nascida em Lisboa, em 1949, Luísa Cunha licenciou-se em Filologia Germânica. Mas o seu percurso como artista começa mais tarde quando aos 37 anos faz o curso de Escultura. As suas obras têm sido expostas dentro e fora de Portugal, estando representada nas melhores coleções de arte contemporânea.

Estrada do Cabedelo (Rotunda do Cabedelo), Viana do Castelo
Regresso a Gaza, Isabel Simões
Nascida em Lisboa, em 1981, Isabel Simões é licenciada em Artes Plásticas/ Pintura e expõe desde 2003. O seu trabalho desdobra-se em suportes vários, da pintura ao desenho ou performance.

Avenida Cidade Politécnica (Rotunda do Instituto Politécnico), Viseu
Oikonomos, Edson Chagas
Edson Chagas está entre os principais artistas que se destacam na arte contemporânea angolana. Nascido em Luanda, em 1977, é licenciado em fotojornalismo e no seu trabalho tem explorado o território urbano de Luanda – e de outras cidades em África.

* link p/ google maps nos endereços

𝘈 𝘗𝟤𝟪 𝘦́ 𝘶𝘮𝘢 𝘦𝘴𝘵𝘳𝘶𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘧𝘪𝘯𝘢𝘯𝘤𝘪𝘢𝘥𝘢 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘙𝘦𝘱𝘶́𝘣𝘭𝘪𝘤𝘢 𝘗𝘰𝘳𝘵𝘶𝘨𝘶𝘦𝘴𝘢 – 𝘊𝘶𝘭𝘵𝘶𝘳𝘢, 𝘑𝘶𝘷𝘦𝘯𝘵𝘶𝘥𝘦 𝘦 𝘋𝘦𝘴𝘱𝘰𝘳𝘵𝘰 / 𝘋𝘪𝘳𝘦𝘤̧𝘢̃𝘰-𝘎𝘦𝘳𝘢𝘭 𝘥𝘢𝘴 𝘈𝘳𝘵𝘦𝘴, 𝘯𝘰 𝘢̂𝘮𝘣𝘪𝘵𝘰 𝘥𝘰 𝘗𝘳𝘰𝘨𝘳𝘢𝘮𝘢 𝘥𝘦 𝘈𝘱𝘰𝘪𝘰 𝘚𝘶𝘴𝘵𝘦𝘯𝘵𝘢𝘥𝘰 𝘢̀𝘴 𝘈𝘳𝘵𝘦𝘴.

Pela primeira vez em Portugal, e no âmbito da comemoração dos 45 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), apresenta-se uma grande exposição de fotografia dedicada à cura. A convite do Ministério da Saúde, a P28 reuniu 15 artistas portugueses para um exercício de reflexão, reconhecimento e celebração do direito fundamental no acesso universal e gratuito aos serviços de saúde. A curadoria reflete sobre a importância do Estado Social, indispensável para garantir a equidade e a justiça social, tanto no presente quanto para as futuras gerações.

Os artistas convidados utilizam a fotografia como meio privilegiado de expressão, no intuito de despertar uma diversidade de perspetivas sobre o momento em que qualquer um necessite dos cuidados que o SNS assegura de forma universal: a cura. Todo o fotógrafo pode em qualquer unidade de saúde encontrar material para a sua obra: muitas vezes, é sob a égide do SNS que se nasce e é aí que acontece o confronto entre vida e a morte, onde corpos e órgãos se degradam e se regeneram, onde o corpo cibernético se constrói. Ali se encontra um palco privilegiado para a observação da natureza humana: é nos hospitais que o sofrimento expõe facetas recônditas do comportamento, mas também é no seu seio que o processo de cura acontece.

Tomando em consideração que os desafios enfrentados pelo SNS, incluindo restrições financeiras e a crónica demanda por serviços, não ofuscam a sua crucial importância nem a dedicação e o esforço dos profissionais de saúde em garantir cuidados de qualidade, independentemente da condição socioeconómica de cada indivíduo, Cura ambiciona constituir-se como uma poderosa ferramenta de reflexão do valor do SNS em Portugal.

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Exposição: Praça de táxis e um aeroporto

Dando sequência a uma já extensa lista de participantes (onde se incluem Pedro Cabrita Reis, Jeff Koons, Jason Martin, Emir Kusturica ou, mais recentemente, Jorge Molder), João Louro é desta feita o artista convidado de Entrevista, projeto com o qual a P28 costuma concluir o seu ciclo de atividades anual.

Artista de renome internacional, o seu corpus de pesquisa prende-se com as relações entre linguagem, imagem, memória coletiva e cultura popular, refletindo, deste modo e num processo de revisão, sobre a atualidade na iconografia contemporânea.

Na exposição Praça de táxis e um aeroporto está patente A Morte de Ubu, instalação que se torna a apresentar após uma anterior participação no projeto Contentores, em 2019. A instalação explora o poder da narrativa e a desconstrução dos ícones culturais, remetendo para a peça de teatro Ubu Roi (1896), de Alfred Jarry, e destacando questões de autoritarismo e absurdidade. Tal como em anteriores criações, como as séries Blind Images ou Dead Ends, Louro desafia a perceção do espectador, questionando a hierarquia entre (con)texto e imagem. A Morte de Ubu expande esta reflexão, com ênfase na subversão dos significados pré-estabelecidos.

Em diálogo, apresenta-se na galeria um conjunto de trabalhos da autoria de José Jorge Monteiro (residente na Cercica – Cooperativa de Educação, Reabilitação e Capacitação para a Inclusão em Cascais), assente em desenho geométrico de carros de diferentes escalas. Em sala anexa, projeta-se o vídeo Entrevista: João Louro, à conversa com a artista e poeta Cláudia R. Sampaio.

Esta apresentação será complementada por uma publicação antológica do histórico de colaborações de João Louro com a P28, à semelhança do já produzido com Pedro Cabrita Reis ou Jorge Molder, em parceria com a editora Stolen Books.

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Exposição do Prémio Arte Jovem Fundação Millennium BCP – 9.ª edição do Concurso Nacional para alunos de Artes Visuais 2024

O concurso-prémio Arte Jovem, criado em 2016 pela Carpe Diem Arte e Pesquisa, surgiu da necessidade de instituir uma plataforma que permita a recém-licenciados e ao público em geral refletir sobre os processos e desafios que, na atualidade, se colocam à construção de uma carreira artística.

A cada edição do prémio Arte Jovem, um júri aprecia e analisa os portfólios apresentados em candidatura, com o intuito de selecionar jovens autores emergentes para a participação numa exposição coletiva, a realizar na Galeria do Pavilhão 31, no Hospital Júlio de Matos.

Com a curadoria da presente edição a cargo de Katherine Sirois, o júri responsável pelas obras selecionadas é constituído por Clara Pacquet, Armando Cabral e Paulo Brighenti. Arte Jovem ‘24 contempla ainda a edição de um catálogo com textos e imagens das obras de cada artista, a lançar após a conclusão da exposição, no intuito de que este se constitua como cartão de visita com que os selecionados se podem apresentar.

Assim, e para além da prospeção de novos talentos, Arte Jovem ’24 visa:

– Dar a conhecer as mais recentes propostas dos artistas que acabam de entrar no mundo da arte, proporcionando uma visão mais alargada da produção artística nacional contemporânea;

– Criar a oportunidade para a realização da primeira exposição, com acompanhamento curatorial e catálogo;

– Propor uma dinâmica competitiva entre as escolas nacionais;

– Cativar o mercado da arte, criando novas possibilidades de aquisição por colecionadores;

– Atribuir prémios que promovam a continuidade da formação artística;

– Apresentar novos valores ou talentos emergentes na Galeria da P28 no Pavilhão 31.

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10 de outubro é, desde 1992, o Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado como oportunidade anual para promover o conhecimento público acerca deste aspeto central da saúde de todos.

Nesta ocasião, a P28 e o Hospital Júlio de Matos apresentam um conjunto de iniciativas com vista à consciencialização sobre a saúde mental, estimulando a reflexão e contrariando o estigma social que em torno dela ainda prevalece.

Assim, e para além do programa geral, a decorrer ao longo do dia no Auditório do Hospital Júlio de Matos, a P28 convidou o artista e sonoplasta Sílvio Rosado a desenvolver trabalho com os artistas residentes no ateliê do Pavilhão 31. Fruto desta colaboração surge Confessionário, instalação sonora site specific criada para o espaço da Galeria do Pavilhão 31.

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A P28, a Carpe Diem Arte e Pesquisa e a escola de arte A Base têm o prazer de apresentar, pelo segundo ano consecutivo, Artistas Residentes d’A Base no Pavilhão 31, exposição que dará a conhecer as várias propostas de trabalho e investigação dos artistas que participaram no programa de residências artísticas d’A Base no ateliê do Pavilhão 31, em 2024.

Dando continuidade ao trabalho realizado durante mais um ano letivo, esta exposição, que integra a terceira edição do projeto Residências, sustenta-se em práticas de trabalho cooperativo, que visam envolver estudantes e docentes no exercício de pensar o que uma exposição pode ser, concretizando as suas formas e conteúdos, e assumindo todas as etapas e tarefas, desde o momento da conceção até à sua materialização.

No âmbito do projeto Residências, a P28 tem vindo a acolher, no seu ateliê e em outros espaços de trabalho, estudantes de diversas instituições de ensino artístico. O projeto visa dar resposta ao desejo da P28 de, à semelhança do que já faz com os artistas residentes no seu ateliê durante todo o ano, organizar uma iniciativa que dotasse finalistas de escolas de arte de experiência em contexto expositivo, que lhes permita desenvolver competências para a conceção, organização e exibição dos seus trabalhos.

Assim, este programa tem como objetivo o desenvolvimento do processo e trabalho autoral de cada participante e das suas capacidades críticas em relação ao meio artístico contemporâneo. As exposições resultantes do programa Residências destinam-se a um público interessado no desenvolvimento formal, teórico, técnico e profissional da prática artística. A longo prazo, a P28 almeja constituir-se como um espaço pan-académico para a divulgação de estudos e práticas avançadas.

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Em julho, dá-se início ao segundo momento de Outdoor ’24, programa de arte pública que contempla uma dezena de artistas plásticos portugueses, repartidos por dois semestres, que acontece simultaneamente em Braga, Coimbra, Faro, Lisboa e Porto. Após um primeiro semestre com a participação de Filipe Cerqueira, Jorge Molder, Mónica de Miranda, Pedro Cabral Santo e Pedro Vaz, Outdoor ’24 acolhe agora obras de Duarte Amaral Netto, João Louro, José Luís Neto, José Pedro Croft e da dupla Sara & André.

Iniciado em 2012 em Lisboa e progressivamente alargado a todo o país, Outdoor é um projeto de arte pública contemporânea que utiliza suportes de publicidade de grandes dimensões em espaço urbano para apresentar arte contemporânea ao grande público. Ao mobilizar os meios associados à comunicação de massas, este evento assume um carácter generalista, gratuito e massivo para interpelar os visitantes na sua própria esfera, superando assim as barreiras que privam a generalidade dos cidadãos do contato e fruição artísticos.

Na programação de Outdoor, sublinha-se a excelência dos artistas participantes, que garante uma diversidade de propostas e discursos capazes de dar resposta ao desafio de adotar um formato não convencional na arte pública contemporânea, sob uma vertente site specific.

A presente edição não escapa a esta regra. No segundo semestre deste ciclo, presente em cinco das principais cidades do país (em parceria com a MOP em Braga, Coimbra e Porto) apresenta-se um conjunto diverso de trabalhos, que circularão rotativamente pelos diferentes locais.

Localização dos painéis:
Largo Marquês de Angeja, Belém, Lisboa
https://maps.app.goo.gl/72gBY6jNm6rB2Mqp9

Rua de Santos Pousada, Bonfim, Porto
https://maps.app.goo.gl/PPEgYW271CAzSaJJ8

Rua Luís António Correia, Braga
https://maps.app.goo.gl/jqAovejUVjxozsGy5

Rua Manuel Madeira, Coimbra
https://maps.app.goo.gl/KhkauZs4ar4a7hwZ6

Avenida Calouste Gulbenkian, Faro
https://maps.app.goo.gl/BMiQnMVVheBDkDHq5


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Porque pior que a desdita loucura
é toda a gente andar em brasa
mas ninguém chegar a incêndio

E no fim são todos cinza

Cláudia R. Sampaio, in Ver no Escuro

A exposição Duas verdades, uma mentira resulta da parceria entre a P28, o Delli Press e a Fo:RCE (ambos da Universidade Lusófona – Centro Universitário de Lisboa) e procura dar a ver um conjunto de processos artísticos e metodológicos no âmbito das licenciaturas em Design de Comunicação e Fotografia, para além de proporcionar a muitos dos seus participantes uma primeira experiência prática em contexto expositivo.

Duas verdades, uma mentira explora os conceitos de diálogo e partilha nas suas múltiplas vertentes, fazendo surgir um território que une criadores e observadores, transcendendo barreiras temporais, espaciais e/ou culturais.

A mentira na arte não é, necessariamente, uma falsidade assumida, mas uma construção, uma ilusão que nos desafia, deslocando a realidade para que a possamos olhar de outro ângulo. O jogo entre verdade e mentira serve para instigar a curiosidade e abrir outras dimensões de entendimento e questionamento, edificando uma comunicação mais profunda. Iludir ou desejar ser iludido é a tarefa complexa operada pelo artista sobre aquilo que é imaginado, sonhado ou subvertido.

Assim, a exposição que agora se inaugura na Galeria do Pavilhão 31 apresenta um conjunto de trabalhos em diferentes suportes, da fotografia ao vídeo, do livro de autor à instalação. Convidando o observador a questionar as suas próprias perceções e a engajar-se num ato de reflexão, esta exposição sublinha o poder transformador da arte, como veículo que conecta pessoas, estimula o pensamento e promove a empatia. Ao celebrar este momento, reafirmamos o papel e o poder do objeto artístico tornado espelho da condição humana e enquanto elo que nos une na diversidade e na liberdade, adocicando ou amargurando a nossa perceção sempre mutável da realidade.

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