Com a participação de:
Adriana Proganó, Arnold Fokam, Aurélien David, Carla Cabanas, Christian Holstad, Diogo Nogueira, Emerson Quinda, Fernanda Feher, Filipe Branquinho, Francisco Trêpa, Isabel Relvas, Joaquim Pires, Lu Wei, Mamady Seydi, Mané Pacheco, Marie-Pierre Brunel, Nadia Barkate, Pedro Barassi, Pedro Martins, ORLAN, Rebecca Munce, Sara & André, Svenja Tiger, Vicente Blanco
Inauguração na Galeria do Pavilhão 31 | 19.05 às 18h
Patente até 04.07.2026
Quarta-feira a sábado, 14h-19h
Inauguração na UCCLA | 27.05 às 18h30
Patente até 10.07.2026
Segunda a sexta-feira 10h-13h e 14h-18h
Entrada livre.
O projeto Shapeshifters propõe-se explorar, através das artes visuais contemporâneas, o tema da metamorfose nas suas dimensões estética, antropológica e filosófica. Partindo da porosidade das fronteiras entre os reinos mineral, animal, humano e vegetal, o projeto convoca um conjunto de artistas de diversas origens culturais cujas obras abordam a transformação — seja através do corpo, seja através de universos imaginárias que interrogam a relação entre formas, espécies e identidades.
A apresentação do projeto em dois espaços distintos e complementares — a Galeria do Pavilhão 31, em parceria com a Carpe Diem Arte e Pesquisa, e a UCCLA — União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa — reflete uma ambição programática pouco comum no panorama das associações culturais independentes: a de construir um diálogo expositivo entre dois equipamentos culturais de referência em Lisboa, com obras e perspetivas curatoriais que se completam sem se repetirem. A curadoria é da responsabilidade de Katherine Sirois, com co-curadoria de Ricardo Barbosa Vicente na exposição na UCCLA.
O projeto ancora-se numa reflexão mais ampla sobre a metamorfose enquanto força psíquica e cultural com raízes profundas na história da humanidade — das mitologias indiana, egípcia e grega às cerimónias dos povos nativos americanos, aborígenes e africanos; das narrativas do Antigo e Novo Testamentos às lendas, contos populares e ficções contemporâneas. A mutabilidade física, a hibridez e a multiplicidade são constantes transversais às culturas e espiritualidades humanas, e é a partir dessa genealogia vasta que o projeto se situa. Neste enquadramento, a própria prática artística é entendida como um ato metamórfico: os processos de pintar, esculpir, fundir, construir, coser, dobrar, queimar ou reciclar reformam e permutam a matéria, abrindo-a a infinitas possibilidades de formas e aparências.
Shapeshifters afirma-se, assim, como um projeto de alcance simultaneamente artístico, cultural e cívico, que aposta na diversidade de origens dos artistas participantes, na articulação entre espaços e públicos distintos, e na capacidade da arte contemporânea para propor novas configurações do olhar sobre o corpo, a identidade e o mundo natural.
*com base no texto curatorial da exposição, por Katherine Sirois.
→ Continuidade: de Camouflage a Shapeshifters
Shapeshifters não nasce no vazio. É, em parte, o prolongamento de uma interrogação iniciada com o projeto Camouflage (2025) — também concebido por Katherine Sirois e produzido pela P28 — que explorou as dinâmicas de perceção visual e as estratégias de ocultação, disfarce e dissolução nas artes contemporâneas. Se emCamouflage o gesto central era o de «tornar-se invisível» — fundir-se com o ambiente, subverter o olhar alheio, habitar o espaço intersticial entre o visível e o invisível —, em Shapeshifters esse impulso aprofunda-se e transforma-se: já não se trata de desaparecer, mas de mudar de forma, de transitar entre estados, espécies e identidades.
Há uma continuidade conceptual entre os dois projetos: ambos partem de uma suspeição em relação à fixidez — das formas, dos corpos, das identidades. Em Camouflage, essa suspeição manifestava-se através do padrão, da textura, da mimetização com o entorno. Em Shapeshifters, manifesta-se através da metamorfose, «da porosidade das fronteiras entre o humano, o animal, o vegetal e o mineral». A camuflagem implica uma relação estratégica com o olhar do outro; a metamorfose implica uma transformação mais radical e interior — não apenas parecer diferente, mas tornar-se outro.
Neste sentido, os dois projetos formam um díptico coerente em torno de uma questão comum: o que significa habitar uma forma? E o que acontece quando essa forma se recusa a ser permanente?
A P28 é uma estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto/ Direção-Geral das Artes, no âmbito do Programa de Apoio Sustentado às Artes, Biénio 2025-26.