Dedicada ao fazer conjunto, Pares volta a reunir o Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual e a P28, apresentando obras criadas em colaboração, como cadáveres esquisitos, desenhos coletivos e outros dispositivos de trabalho partilhado, nos quais o acaso, o jogo e a negociação entre singularidades assumem um papel estruturante.
Reunindo obras novas e peças de arquivo de dois grupos heterogéneos de artistas — alunos dos departamentos de Pintura e Desenho do Ar.Co e artistas do ateliê da P28 —, a exposição propõe uma imersão em grandes formatos e na expressividade imprevisível que emerge destes encontros, evidenciando o projeto Residências enquanto espaço de aprendizagem mútua, contaminação de práticas e produção situada. Pares afirma-se, assim, como um momento de visibilidade pública de um trabalho desenvolvido ao longo do tempo, assente em modos de produção que valorizam o tempo, a relação e a construção coletiva.
Pares insere-se no âmbito do projeto Residências, desenvolvido pela P28 a partir de protocolos bienais com instituições de ensino artístico, que permitem contextos de trabalho continuado entre artistas em formação e artistas em prática. Estes protocolos funcionam como dispositivos de acompanhamento e produção, criando condições para a experimentação, a partilha de processos e a apresentação pública dos trabalhos resultantes, através de períodos prolongados de trabalho conjunto entre alunos e artistas do ateliê da P28.
A P28 dispõe desde 2012, em regime de cedência por parte do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, de um espaço situado no Pavilhão 31 do referido complexo, com 300 m2 de área expositiva e 100m2 de área de escritório. A gestão, programação e produção das atividades aí realizadas é da exclusiva responsabilidade da P28.
A Galeria do Pavilhão 31 é a única galeria de projeto nacional que apresenta parcerias entre artistas profissionais e artistas residentes num ateliê integrado numa unidade de saúde mental. Este conceito programático procura desestigmatizar o artista com experiência de doença mental e contribuir para a sua valorização artística e pessoal, ao validar a obra de arte enquanto peça por si só. As parcerias entre artista profissional/artista residente produzem uma legitimidade capaz de originar convites para outras exposições ou propiciar a aquisição de obras dos artistas residentes no competitivo mercado do colecionismo, contribuindo para a sua inserção no circuito artístico.
Foi com base no reconhecimento crescentemente obtido junto da comunidade e do público que nomes como Jeff Koons, Emir Kusturica, Pedro Cabrita Reis, Jorge Molder, Eduardo Souto Moura ou Miguel Palma marcaram presença neste espaço, contribuindo para a afirmação de artistas até então desconhecidos, como Artur Moreira, Francisco Gromicho ou Anabela Soares.
Atualmente, a P28 mantém uma média anual de cinco a seis exposições na Galeria do Pavilhão 31 – nas quais participa sempre, sem exceção, pelo menos um artista residente do ateliê da P28 – além de outros projetos e eventos realizados fora do complexo hospitalar, por iniciativa própria ou por convite.