Fora do Algoritmo reúne trabalhos desenvolvidos por alunos de Audiovisuais do segundo ano da licenciatura em Arte Multimédia e por artistas do ateliê da P28, sob orientação de Susana de Sousa Dias, no âmbito de uma colaboração entre a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e a P28.
Apresentada na Galeria do Pavilhão 31, a exposição integra o projeto Residências, através do qual a P28 tem vindo a estabelecer relações de trabalho continuado com diferentes instituições de ensino artístico. O projeto procura aproximar espaços, práticas e experiências de formação distintas, criando condições para a experimentação, a partilha de processos e a apresentação pública dos trabalhos realizados.
Nesta edição, a imagem em movimento constitui o ponto de partida para um conjunto de pesquisas que atravessam diferentes meios e procedimentos. Programas digitais e sistemas de geração e transformação de som e de imagem articulam-se com processos analógicos, materiais de arquivo e filmagens captadas do real.
A passagem para o espaço expositivo introduz também outras relações entre as obras, a arquitetura, o som e o espectador. Com Fora do Algoritmo, o projeto Residências prossegue a criação de contextos de encontro entre formação artística, produção contemporânea e experiência pública da obra.
“Vivemos num contexto em que uma parte crescente da produção e recepção de imagens é atravessada por sistemas de previsão, reconhecimento e classificação. A sua circulação tende a privilegiar formas imediatamente identificáveis, próximas daquilo que já conhecemos. Neste contexto, criar pode significar precisamente introduzir uma margem de indeterminação.
O termo «algoritmo» é usado aqui num sentido amplo, como um conjunto de operações orientadas por regras prévias: uma lógica muito anterior ao universo digital, hoje amplificada por sistemas computacionais de seleção, comparação e antecipação. Os trabalhos reunidos nesta exposição utilizam programas digitais e sistemas de geração e transformação de som e de imagem, em articulação com processos analógicos, materiais de arquivo e filmagens captadas do real. O que está em causa é preservar, no interior desses dispositivos e procedimentos, aquilo que resiste à antecipação e codificação.
Estas obras não constituem um programa comum nem procuram responder a uma mesma questão. Aproximam-se, antes, através de certas operações: tornar perceptível o que habitualmente permanece invisível; trabalhar a ausência e o vestígio; desmontar e reconstruir imagens; imaginar corpos improváveis; perturbar as relações entre espaço, som e percepção; fazer surgir um mundo a partir de uma imagem.”
(Susana de Sousa Dias)
Curadoria: FBAUL e P28
Coordenação: Susana de Sousa Dias e André Gonzaga